PRESSÃO ELEITORAL
Botelho diz que pressão popular e ano eleitoral fizeram deputados mudarem voto sobre escala 6×1
Do local Renato Ferreira
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) atribuiu à pressão popular e ao cenário eleitoral deste ano a mudança de posicionamento de parte da bancada federal de Mato Grosso em relação ao fim da escala 6×1. Segundo ele, a forte mobilização da sociedade em defesa da proposta e o desgaste político de votar contra a medida influenciaram diretamente o comportamento dos parlamentares durante a votação da PEC na Câmara dos Deputados.
“A mudança de opinião é muito por causa da pressão popular. Principalmente a pressão popular e o ano eleitoral. Isso aí é a principal mudança que faz na cabeça do deputado em ano de eleição”, afirmou nesta quinta-feira (27).
A declaração foi dada após a aprovação, em dois turnos, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso remunerado por semana aos trabalhadores. Os oito deputados federais de Mato Grosso votaram favoravelmente ao texto.
Botelho afirmou ser favorável ao fim da escala 6×1 e classificou a mudança como um movimento irreversível que já vem sendo adotado em diversos países.
“Sou a favor. Acho que isso é uma tendência mundial. Tem que aprovar. Ninguém vai segurar isso, esquece, vai acabar mesmo”, declarou.
Apesar de defender a redução da jornada, o parlamentar ponderou que a nova legislação precisa vir acompanhada de mecanismos que garantam maior flexibilidade nas relações de trabalho. Entre as alternativas defendidas por ele estão a ampliação das possibilidades de banco de horas e negociações diretas entre empregadores e empregados.
“O que nós precisamos mudar no Brasil é flexibilizar. Criar flexibilidade para criar banco de horas, para criar opções dentro da jornada e ampliar essa negociação do patrão direto com o empregado”, argumentou.
Para o deputado, parte dos parlamentares que inicialmente demonstravam resistência à proposta acabou cedendo diante da repercussão popular do tema. Ainda assim, ele acredita que muitos deputados passaram a compreender a necessidade da mudança, desde que acompanhada de medidas que garantam segurança para o setor produtivo.
“Tenho convicção de que alguns deputados entendem, assim como eu entendo, que tem sim que acabar com essa escala 6×1, mas tem que flexibilizar para os empresários, para criar essa negociação”, afirmou.
A PEC aprovada pela Câmara prevê uma transição gradual para a nova jornada. Dois meses após a promulgação da emenda constitucional, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana e carga horária de 42 horas semanais. Após um período de 12 meses, a jornada será reduzida definitivamente para 40 horas, sem redução salarial.
A proposta agora segue para análise do Senado Federal.


