DISCURSO NA CÂMARA
Ex-secretário chama suspeita de superfaturamento de “absurda” e denuncia “pedalada” de mais de R$ 100 mi
Muvuca Popular
O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, fez um duro pronunciamento nesta quinta-feira (29) na Câmara Municipal ao rebater as denúncias levantadas pelo prefeito Abilio Brunini (PL) sobre supostas irregularidades em contratos da pasta. Em tom firme, Amauri classificou como “irresponsável” a fala sobre um possível desvio de R$ 80 milhões e afirmou que a acusação atinge diretamente servidores efetivos e setores técnicos da Prefeitura. Ele permaneceu por cerca de um ano à frente da Educação.
“Falar em desvio de R$ 80 milhões é praticamente uma irresponsabilidade. Isso não atinge apenas a gestão, atinge o corpo técnico da Prefeitura, composto por profissionais extremamente qualificados”, declarou.
Amauri compareceu ao Legislativo para prestar esclarecimentos sobre contratos firmados durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Educação. Segundo ele, todos os processos passam por filtros rigorosos de controle dentro da administração municipal, incluindo a Secretaria de Aquisições e a Procuradoria-Geral do Município.
“Não existe possibilidade jurídica e técnica disso acontecer dentro do fluxo processual da Prefeitura. Além disso, sequer existe contrato da Educação nesse valor”, afirmou.
O ex-secretário também rebateu as declarações feitas pelo prefeito sobre supostos “livros de R$ 800”. Segundo Amauri, a informação foi distorcida e desconsidera a complexidade das soluções pedagógicas adquiridas pela rede municipal.
“Nunca compramos livro avulso por esse valor. O que existe são sistemas estruturados de ensino, compostos por material didático, plataforma educacional, formação de professores, laboratórios e suporte pedagógico”, explicou.
De acordo com ele, um dos materiais citados pela atual gestão sequer chegou a ser contratado e ainda estava em fase de avaliação técnica.
Amauri afirmou ainda que a gestão anterior investiu em materiais específicos para crianças neurodivergentes e defendeu que as aquisições seguiram padrões já utilizados em outras grandes redes públicas de ensino do país.
Mas o momento mais duro do pronunciamento ocorreu quando o ex-secretário acusou a atual gestão de promover uma “pedalada” superior a R$ 100 milhões envolvendo recursos obrigatórios da Educação.
“Não podemos permitir que esse assunto vire cortina de fumaça para o que realmente aconteceu. Houve uma pedalada de mais de R$ 100 milhões que deveriam ter ido para a Educação no ano passado”, disparou.
Segundo Amauri, os valores foram empurrados para este ano mesmo após a gestão cumprir constitucionalmente o percentual mínimo de investimento na Educação.


