APROVADA NO CONGRESSO
Prefeito diz que mercado vai “repassar custos” com fim da escala 6×1
Do local Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), avaliou que o possível fim da escala de trabalho 6×1 pode provocar impactos econômicos tanto para empresas quanto para consumidores. A declaração foi dada ao comentar a proposta em discussão no Congresso Nacional que prevê mudanças na jornada semanal de trabalho.
Segundo o prefeito, setores que dependem de funcionamento contínuo, como supermercados, comércios e serviços abertos aos fins de semana, precisarão contratar mais funcionários para manter o atendimento, o que deve elevar os custos operacionais.
“Se você precisa abrir um mercado num domingo, por exemplo, você vai ter que contratar mais profissionais. Se contratar mais profissionais, você vai ter que repassar esse valor. Você vai repassar o valor para o arroz, vai passar o valor para o feijão, vai passar o valor para os produtos”, afirmou.
Abilio também disse acreditar que a mudança pode reduzir salários em parte das vagas formais, já que empresas tenderiam, segundo ele, a cortar benefícios e limitar pagamentos acima do salário mínimo para compensar os novos custos trabalhistas.
“Eles não vão mais pagar valores acima do salário mínimo, vai pagar apenas o salário mínimo para quem trabalha na 5×2”, declarou.
Na avaliação do prefeito, esse cenário pode ampliar o avanço da informalidade no mercado de trabalho brasileiro. Ele citou entregadores por aplicativo, vendedores autônomos e trabalhadores da internet como exemplos de atividades que vêm crescendo fora do regime CLT.
“O mercado de trabalho que mais cresce no país é o mercado da informalidade. É o entregador, é o vendedor de bolo, é o vendedor de pipoca, é a pessoa que está vendendo roupa na internet”, disse.
Durante a entrevista, Abilio também defendeu modelos mais flexíveis de contratação e afirmou ser favorável à remuneração por hora trabalhada.
“A melhor relação de trabalho no Brasil seria se a gente pudesse pagar tudo para o trabalhador. O trabalhador escolhe qual regime de previdência ele quer ou quanto quer pagar para o governo”, afirmou.
O prefeito ainda declarou que o trabalhador deveria ter mais liberdade para definir a própria jornada.
“Ele pode escolher quantas horas quer trabalhar. Pode trabalhar um dia da semana se quiser”, completou.


