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CONSCIÊNCIA TRANQUILA

Deputado alvo da PF nega esquema milionário e vínculo financeiro com magistrado; veja

Renato Ferreira

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Alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), o deputado estadual Faissal Calil (PL) negou qualquer envolvimento no suposto esquema de venda de decisões judiciais investigado pela Operação Gemini e afirmou que não mantém nem manteve transações financeiras com o desembargador afastado Dirceu dos Santos.

As declarações foram dadas à imprensa logo após o cumprimento das diligências em sua residência. Visivelmente surpreso com a operação, o parlamentar afirmou ainda não ter conhecimento do conteúdo da decisão judicial que autorizou as medidas, mas garantiu que está à disposição para colaborar com as investigações.
“Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Isso aí não é verdade. Pode investigar o que for, eu estou muito tranquilo”, declarou.

A Polícia Federal aponta Faissal como uma das pessoas que teriam auxiliado Dirceu dos Santos na movimentação de recursos e na ocultação de patrimônio. Segundo a investigação, o deputado teria atuado como operador de confiança do magistrado em uma estrutura que movimentou mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie e que também é suspeita de realizar operações para dissimular a origem de recursos supostamente ilícitos.
Faissal rechaçou as acusações e afirmou que se afastou completamente do desembargador após deixar o Tribunal de Justiça para ingressar na vida política.

“Desde que virei deputado e saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o contato. Eu simplesmente me afastei”, afirmou.
O parlamentar também negou qualquer ligação com o advogado Bruno Oliveira Castro, outro nome citado nas investigações da Polícia Federal.

“Eu não tenho nada com o Bruno também. Não tenho nada com esse povo”, disse.
Durante a operação, os agentes apreenderam o telefone celular do deputado. Segundo ele, o aparelho e os acessos solicitados foram entregues espontaneamente aos investigadores.

“Eles queriam meu celular, dei na hora. Dei a senha do iCloud. Pode fazer o que quiserem. Quero que a verdade venha à tona o quanto antes”, declarou.
Faissal também rebateu informações sobre a apreensão de armas, joias e relógios de luxo em sua residência. Segundo o deputado, nenhum desses objetos foi encontrado em sua casa e o único item levado pelos policiais foi o telefone celular. “Não acharam joia, não acharam Rolex, não acharam arma. Isso não é daqui de casa”, afirmou.

A Operação Gemini é uma nova fase da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais em Mato Grosso. Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Polícia Federal cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo, além de executar medidas de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.
As investigações seguem em andamento e os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, conforme a participação de cada um nos fatos apurados.

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