DISPUTA DE ÁREA
Após decisão judicial, acusados por homicídio de Roberto Zampieri passam a responder ação penal
A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra nove investigados por envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri e por suposta participação em uma organização criminosa armada conhecida como “Comando C4”, grupo que, segundo as investigações, seria especializado em homicídios sob encomenda.
A decisão foi proferida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, que reconheceu a existência de indícios suficientes para a abertura da ação penal contra os denunciados. Conforme a magistrada, a acusação reúne elementos obtidos durante uma extensa investigação conduzida pela Polícia Civil e pela Polícia Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo quebras de sigilo bancário, análises de aparelhos eletrônicos, laudos periciais e interceptações telefônicas.
Entre os denunciados estão Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, apontados pelo Ministério Público como integrantes do núcleo mandante do crime. Segundo a denúncia, eles teriam contratado e financiado a execução de Roberto Zampieri em razão de uma disputa possessória envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Na mesma decisão, a magistrada decretou a prisão preventiva de Elenice Ballarotti Laurindo. Ao fundamentar a medida, a juíza destacou a existência de indícios de movimentações financeiras compatíveis com o pagamento pela execução do advogado, além da gravidade concreta do crime, que teria sido praticado mediante emboscada e com a participação de uma estrutura criminosa organizada. A decisão quanto à prisão foi suspensa por determinação do desembargador Gilberto Giraldelli, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso no dia 14 de junho.
Por outro lado, a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva contra Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. Embora tenham se tornado réus por suposta integração à organização criminosa, a magistrada entendeu que não há elementos atuais que justifiquem o agravamento das medidas cautelares já impostas pelo STF. Os três continuarão sendo monitorados eletronicamente, com restrições de contato, recolhimento domiciliar noturno e proibição de deixar o país.
A decisão também autorizou o compartilhamento integral dos autos com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá e com a Delegacia de Polícia de Ribeirão Cascalheira, além de determinar o levantamento do sigilo processual. Com o recebimento da denúncia, os acusados serão citados para apresentar defesa e o processo seguirá para a fase de instrução criminal.


