ZERO TEMOR
“Em sete anos, a Sinfra nunca foi alvo de questionamentos sobre corrupção”, diz secretário
Do local - Renato Ferreira
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), Marcelo Padeiro, afirmou que o Governo de Mato Grosso já adotou medidas para apurar e corrigir problemas identificados em trechos de rodovias estaduais, incluindo a MT-170, alvo recente de fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
A declaração foi dada após o presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo, determinar a reabertura de uma mesa técnica para discutir a recuperação de aproximadamente 50 quilômetros da rodovia na região Noroeste do estado. Durante vistoria realizada na semana passada, o conselheiro constatou sinais de deterioração do pavimento em uma obra que custou cerca de R$ 130 milhões aos cofres públicos.
Segundo Marcelo Padeiro, a própria Sinfra já havia identificado problemas em dois contratos de pavimentação e iniciado procedimentos administrativos contra as empresas responsáveis.
“Eu vou dizer uma verdade para você. O Tribunal de Contas foi feito para analisar e fiscalizar. Eu estou pronto para responder todas as notificações recebidas pelo tribunal. Nós tivemos um problema de construção nova em duas rodovias, um trecho da MT-170 e um lote da MT-140. Nós notificamos as empresas e abrimos procedimentos. Isso tudo a partir de setembro do ano passado”, afirmou.
O secretário destacou que os procedimentos foram encaminhados a diversos órgãos de controle.
“Foram mandadas cópias de todos os procedimentos para o Ministério Público Estadual, para o próprio Tribunal de Contas, para a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção e para a Controladoria Geral do Estado”, disse.
Padeiro também rebateu insinuações de irregularidades na condução dos contratos e afirmou que a Secretaria mantém fiscalização rigorosa sobre as obras executadas no estado.
“A Sinfra, nesses sete anos que estou à frente da gestão, nunca foi alvo de questionamentos sobre corrupção. Todos os nossos procedimentos são republicanos, são abertos e todas as obras são fiscalizadas”, declarou.
Ao comentar os problemas encontrados nas rodovias, o secretário afirmou que a questão não está necessariamente relacionada à qualidade do asfalto utilizado, mas à execução dos serviços pelas empreiteiras.
“Não é a qualidade do asfalto. É a qualidade dos serviços prestados pelas empresas. Temos que desvincular essa discussão de asfalto casca de ovo ou asfalto farofa. O problema está na preparação do subleito, da sub-base e da base. Se essa estrutura não for bem executada, qualquer revestimento vai apresentar problemas”, explicou.
Ele comparou a situação às falhas estruturais em edificações.
“É a mesma lógica de um prédio. Se a fundação não for bem feita, a estrutura pode ruir. Na rodovia acontece a mesma coisa. Se não houver uma boa base, não adianta colocar uma capa mais espessa de asfalto ou até concreto”, argumentou.
Segundo o secretário, a Sinfra tem intensificado as inspeções técnicas e exigido que as empresas façam os reparos necessários sempre que forem constatadas falhas.
“Estamos passando viga, realizando ensaios e encontrando alguns defeitos nas pistas. E estamos cobrando das empresas as correções. Quem não fizer obra de qualidade será obrigado a refazer aquilo que não ficou bem executado”, afirmou.
A determinação do TCE ocorre em meio ao acompanhamento das obras de infraestrutura executadas pelo Estado. A mesa técnica deverá reunir representantes do Governo, órgãos de controle e empresas responsáveis pelos contratos para discutir as medidas necessárias para garantir a durabilidade e a qualidade do pavimento na MT-170.


