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38 FEMINICÍDIOS NESTE ANO

Após morte de mãe e bebê, MT reforça rede de proteção às mulheres

Muvuca Popular

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O Governo de Mato Grosso reforçou a importância de reconhecer os primeiros sinais de violência doméstica e buscar ajuda após Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, e o filho dela, um bebê de quatro meses, serem mortos a facadas nesta quinta-feira (17), em uma propriedade rural na região de Luciara. O companheiro da jovem e pai da criança, Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos, foi preso como principal suspeito.

“Nenhuma mulher deve acreditar que precisa enfrentar sozinha ameaças, agressões ou situações que coloquem sua integridade em risco. Existe uma rede preparada para acolher, orientar e proteger”, afirmou a delegada Mariell Antonini, secretária do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.

Conforme as informações preliminares, Taymilla tentou fugir das agressões carregando o filho nos braços. Ela correu por uma estrada que dá acesso a outras propriedades rurais, mas foi alcançada a aproximadamente 500 metros da residência onde vivia com Jailton.

A jovem foi atingida por diversos golpes de faca. O bebê sofreu pelo menos duas perfurações na região do peito. O irmão de Taymilla soube do ataque e foi de motocicleta até a propriedade para tentar salvá-la, mas chegou quando os dois crimes já haviam sido consumados.

Jailton foi localizado ensanguentado dentro de uma residência da propriedade e preso em flagrante. Ele negou a autoria em uma declaração inicial e ainda deverá ser formalmente interrogado pela Polícia Civil.

A investigação trabalha com a hipótese inicial de que Taymilla tenha sido morta antes do bebê. A dinâmica, a motivação e as circunstâncias dos dois assassinatos ainda serão esclarecidas por meio dos depoimentos, do interrogatório do suspeito e dos exames periciais.

Taymilla não possuía medida protetiva. O Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher ressaltou, contudo, que a proteção pode ser solicitada antes que a violência chegue à agressão física. Ameaças, perseguições, intimidação, isolamento, controle excessivo e comportamentos que provoquem medo ou insegurança também devem ser tratados como sinais de alerta.

“Violência contra a mulher é coisa séria e precisa ser tratada como tal. Buscar ajuda pode impedir que a violência avance para consequências ainda mais graves”, destacou Mariell.

Segundo a delegada, mulheres ameaçadas não precisam esperar o agravamento da situação para procurar atendimento. A rede estadual reúne órgãos de segurança, assistência e Justiça preparados para oferecer acolhimento, orientação e proteção.

Entre janeiro e setembro deste ano, mais de 13,7 mil mulheres tiveram medidas protetivas concedidas pela Justiça em Mato Grosso, segundo dados da Polícia Civil.

As medidas podem determinar o afastamento do agressor do lar, proibir aproximação ou contato com a vítima e estabelecer outras restrições destinadas a interromper o ciclo de violência.

Familiares, amigos, vizinhos e outras pessoas próximas também podem ajudar. Ao perceber ameaças, agressões ou mudanças de comportamento provocadas pelo medo, é possível acolher a vítima e acionar os órgãos responsáveis.

Mulheres em situação de violência podem procurar qualquer delegacia da Polícia Civil, unidades especializadas de atendimento à mulher, Polícia Militar, Ministério Público, Defensoria Pública ou Poder Judiciário.

Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. O Ligue 180 também funciona como canal nacional de atendimento, com orientações sobre direitos, denúncias e serviços disponíveis na rede de proteção.

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