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Pivetta chama tortura de vereador de ‘terrorismo’ e acusa Fagundes de conivência com leis brandas

Muvuca Popular

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) classificou como “terrorismo” a sessão de tortura sofrida pelo vereador Wesley Cláudio (Novo) e sua família dentro da própria casa, em Rondonópolis, e usou o episódio para cobrar o endurecimento da legislação contra o crime organizado. O gestor ainda elevou o tom contra o adversário na disputa pelo Governo de Mato Grosso, senador Wellington Fagundes (PL), a quem acusou de ser “no mínimo conivente” com a situação por estar há décadas no Congresso Nacional sem, segundo ele, conseguir mudar leis que considera brandas.

Pivetta relacionou a violência praticada contra a família ao debate nacional sobre o enquadramento de organizações criminosas como terroristas. A discussão ganhou novo impulso após países integrantes da aliança Escudo das Américas aderirem à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, seguindo uma posição adotada pelos Estados Unidos. No Brasil, setores da direita defendem esse enquadramento, enquanto o governo federal sustenta que a prioridade deve ser o fortalecimento dos instrumentos específicos de combate ao crime organizado.

Para Pivetta, porém, a violência empregada contra o parlamentar e seus familiares demonstra que o país precisa avançar no rigor da legislação.

“É lamentável. Toda violência é lamentável. Esse caso está sendo apurado, está sendo elucidado. Não tira a dor da família, que foi torturada. Aí vem o governo federal dizer que as organizações criminosas no Brasil são pouca coisa. São terroristas, sim. O que fizeram com essa família lá foi terrorismo”, afirmou.

O governador disse que a invasão da residência e a tortura praticada contra as vítimas representam um limite que o poder público não pode aceitar. Segundo ele, o enfrentamento às organizações criminosas precisa ocorrer em âmbito nacional, com leis mais duras e uma política federal articulada.

“Entrar na casa da família e fazer o que fizeram foi um sinal de que nós não podemos mais tolerar, que o Brasil tem que enfrentar o crime organizado com a força da lei e com uma política pública federal para a gente não ficar enxugando gelo”, declarou.

Foi nesse ponto que Pivetta direcionou as críticas a Wellington Fagundes. “O cara fica 36 anos no Congresso Nacional e as leis que nós temos é prende e solta. Ele é, no mínimo, conivente com isso e nós aqui enxugando gelo”, disparou Pivetta.

O governador também defendeu penas mais severas e afirmou que as forças estaduais estão mobilizadas para identificar e prender os envolvidos no ataque.

“A nossa segurança não deixa de funcionar, não deixa nada sem apurar. A turma que cometeu esse crime bárbaro está sendo pega, vai para a cadeia. Temos que endurecer as penas contra a bandidagem”, disse.

Pivetta voltou a utilizar o termo terrorismo ao descrever a violência sofrida pela família. “Isso é terrorismo. Uma família que teve sua casa invadida, que passa horas sendo torturada, com requinte de crueldade, de cortar um pedaço da orelha e entregar na mão da esposa. Isso nos deixa consternados, arrasados”, completou.

O caso

Wesley Cláudio e familiares foram rendidos dentro de casa, em Rondonópolis, na madrugada de segunda-feira (28). Segundo informações da investigação, os criminosos mantiveram a família amarrada, exigiram dinheiro e agrediram as vítimas. O vereador levou uma coronhada e teve parte da orelha cortada. A esposa também foi agredida e chegou a ser enforcada. Os criminosos levaram cerca de R$ 42 mil, objetos pessoais e o veículo da família.

A investigação avançou nas horas seguintes. A Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que suspeitos foram identificados e o veículo levado durante o crime foi recuperado. Na noite de terça-feira (29), uma mulher suspeita de envolvimento foi presa pela Polícia Civil com R$ 17 mil, munições e uma aliança pertencente ao vereador, segundo informações divulgadas sobre a operação.

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