O réu Jackson Pinto da Silva afirmou, durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (20), que matou a esposa, a empresária Nilza Moura de Souza Antunes, após uma discussão envolvendo o filho dele. Segundo o acusado, o desentendimento fez com que enxergasse a mulher como uma ameaça à relação com a criança. Ele disse que se arrependeu logo após cometer o crime, mas decidiu esconder o corpo por medo da reação da família.
“Eu só pensava no meu filho, que eu via ela como uma ameaça real ao meu convívio com meu filho”, declarou Jackson durante o depoimento no Fórum de Cuiabá.
Ao reconstituir o crime, o réu contou que discutiu com Nilza porque queria ficar com o filho durante o fim de semana. Segundo ele, a conversa evoluiu para um desentendimento sobre a relação da mulher com a criança. Jackson afirmou que, naquele momento, considerou que a esposa havia colocado o filho em uma posição de disputa com ela.
“Para mim, desde que meu filho nasceu, é uma coisa que não dá para descrever em palavras, mas não tem nada nem ninguém mais importante do que o meu filho para mim”, disse.
Jackson relatou que foi até a garagem, pegou uma abraçadeira plástica, conhecida como “enforca-gato”, e voltou para perto da esposa, que estava sentada no sofá. Ele contou que puxou o objeto e apertou até que Nilza não conseguisse mais se soltar.
Segundo o réu, após perceber o que havia feito, ficou parado por cerca de cinco minutos, olhando para o corpo, e se arrependeu. Em seguida, porém, decidiu ocultar o cadáver.
Ele afirmou que colocou o corpo no porta-malas do carro e passou algumas horas em casa pensando no que faria. Depois, teve a ideia de enterrá-lo e entrou em contato com um operador de máquina para abrir um buraco em um terreno. Para não levantar suspeitas, disse que precisava de uma escavação para construir uma fossa.
Após o serviço, Jackson levou o corpo até o local e o enterrou. Mais tarde, voltou a procurar o operador para que ele acertasse a terra, sob a justificativa de que havia desistido da construção.
Medo da família
Durante o depoimento, Jackson afirmou que, depois de ocultar o corpo, passou a pensar em uma justificativa para explicar o desaparecimento de Nilza. Quando os familiares começaram a procurá-lo, ele apresentou versões diferentes sobre o paradeiro da esposa.
Inicialmente, disse que ela havia saído e que não sabia onde estava. Depois, alegou que Nilza poderia ter ido à academia, hábito que, segundo ele, fazia parte da rotina dela.
O réu afirmou que decidiu confessar o crime após conversar com um policial que o acompanhava durante o caso. Segundo Jackson, o agente disse que ele poderia contar o que havia acontecido sem ser humilhado ou maltratado.
“Naquele momento que eu fiz, eu estava com raiva, mas logo depois a raiva passou e eu fiquei arrependido. Mas, se eu falasse, a família me mataria”, relatou.
Jackson contou que revelou o crime ao policial e indicou o local onde havia enterrado a esposa. As equipes foram até o terreno e utilizaram uma máquina para localizar o corpo. Ele disse que orientou os agentes sobre a posição da cabeça da vítima para evitar que ela fosse atingida durante a escavação.
O acusado também relatou que, ao chegar à delegacia, telefonou para a mãe. Segundo ele, foi nesse momento que a gravidade do que havia feito ficou mais evidente. Ao ser chamado para prestar depoimento, afirmou que não conseguiu continuar falando e que voltou a abordar o assunto apenas durante a audiência desta terça-feira.
“Eu poderia ter pensado melhor, mas acabei tomando a pior decisão possível”, declarou.
Crime e suspeita de interesse patrimonial
Jackson responde por feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. Nilza, de 64 anos, foi encontrada enterrada nos fundos de um imóvel no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá, em 5 de maio deste ano.
A empresária estava desaparecida desde o dia anterior. O próprio Jackson havia procurado a Polícia Civil para comunicar o sumiço e chegou a apresentar uma versão de que ela teria sido vítima de um crime.
A investigação apontou suspeita de que o assassinato tenha sido motivado por interesse no patrimônio da vítima, que atuava no setor imobiliário e possuía diversos imóveis. Durante o período em que Nilza era considerada desaparecida, Jackson transferiu R$ 18 mil da conta dela para a própria conta.
A versão apresentada pelo réu no júri, de que o crime ocorreu após uma discussão envolvendo o filho, contrasta com a linha de investigação sobre a motivação patrimonial. Caberá aos jurados analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade criminal de Jackson.














