“Eu vou falar por mim, eu desconfiei.” A declaração é de Ana Gabriela Moura Santos, sobrinha de Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos, ao falar sobre Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, julgado por matar a esposa e esconder o corpo em um imóvel da vítima, em Cuiabá. Segundo a familiar, Nilza tinha medo do companheiro e receava comer, até mesmo, um pedaço de bolo preparado por ele por suspeitar de envenenamento.
Questionada sobre as suspeitas em relação a Jackson, Ana Gabriela reforçou que desconfiava dele. “Eu vou falar um português bem claro, eu desconfiei”, afirmou.
A sobrinha relatou que o receio também era manifestado pela própria tia. Conforme contou, Nilza evitava comer bolo feito pelo marido por medo de que houvesse alguma substância no alimento. O relato expressa a suspeita da vítima; as informações apresentadas não apontam confirmação de envenenamento.
Ana Gabriela também disse ter conversado com a tia sobre sua desconfiança em relação a Jackson. “Eu tava desconfiando dele”, declarou.
O julgamento do acusado começou na tarde desta terça-feira (20), no Tribunal do Júri de Cuiabá. Jackson responde por feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.
Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), cinco testemunhas foram indicadas em comum pela acusação e pela defesa para depor em plenário. Até a última atualização, a sessão havia chegado à oitiva da terceira testemunha.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Jackson matou Nilza em maio deste ano, dentro da residência onde o casal morava, no bairro Parque Cuiabá. A acusação sustenta que ele utilizou uma braçadeira de nylon para asfixiar a esposa enquanto ela dormia, sem possibilidade de defesa.
O Ministério Público aponta motivação patrimonial e afirma que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar. Segundo a denúncia, após a morte, Jackson teria adotado medidas para assumir o controle dos bens e valores da vítima, incluindo a transferência de R$ 18 mil do cartão de crédito dela para a própria conta.
O corpo de Nilza foi encontrado em uma cova de aproximadamente dois metros de profundidade, nos fundos de outro imóvel pertencente a ela. De acordo com a investigação, o casal não morava nesse endereço.
A polícia apontou que o terreno foi escavado com uma retroescavadeira contratada pelo acusado. Posteriormente, ele teria solicitado novamente o equipamento para cobrir e nivelar a área. À época, o delegado Caio Albuquerque, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que o crime foi premeditado.
A sessão é presidida pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. Assistido pela Defensoria Pública, Jackson permanece preso preventivamente.














