O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) instaurou, na quinta-feira (22), um inquérito civil para investigar uma denúncia de possível assédio eleitoral envolvendo um shopping de Cuiabá. A suspeita é de que uma liderança regional tenha utilizado uma reunião corporativa para associar uma candidatura à Presidência da República a possíveis benefícios econômicos para o setor varejista.
Segundo a denúncia recebida pelo órgão, durante uma reunião de apresentação de resultados, a liderança teria defendido que determinada candidatura poderia trazer vantagens ao comércio e atribuído a ela uma suposta melhora nos indicadores econômicos após o primeiro turno das eleições. O MPT não informou qual candidato teria sido mencionado.
Diante da denúncia, o Ministério Público expediu, na mesma data, uma recomendação ao empreendimento para impedir possíveis constrangimentos e garantir a liberdade de escolha política dos funcionários durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25).
Entre as medidas recomendadas, o shopping deverá se abster de pressionar, constranger ou discriminar trabalhadores em razão de suas preferências políticas. O documento também orienta que os funcionários escalados para trabalhar no dia da votação tenham tempo suficiente para se deslocar até suas respectivas seções eleitorais e exercer o direito ao voto.
O MPT determinou ainda, por meio da recomendação, que o empreendimento divulgue internamente orientações sobre a ilegalidade do assédio eleitoral no ambiente de trabalho, no prazo de até 24 horas após o recebimento do documento.
Outra medida prevista é a criação ou reativação de um canal de denúncias que assegure o anonimato dos trabalhadores que relatarem possíveis irregularidades.
O shopping também deverá apresentar, em até 48 horas após o recebimento da recomendação, documentos que comprovem a adoção das providências, além de informar eventuais procedimentos internos de apuração e medidas tomadas.
Conforme o Ministério Público do Trabalho, o descumprimento das recomendações poderá resultar na adoção de medidas administrativas e judiciais.
O órgão ressaltou que a investigação busca garantir a liberdade de opinião política e o direito ao voto livre e secreto, sem interferência de empregadores ou superiores hierárquicos.
A apuração ainda está em andamento e não há conclusão sobre a ocorrência de assédio eleitoral ou eventual responsabilidade dos envolvidos.
O MPT também reforçou que trabalhadores que sofrerem ou presenciarem situações de pressão política no ambiente profissional podem formalizar denúncias pelos canais oficiais do órgão, com preservação da identidade do denunciante.
O inquérito civil foi registrado sob o número 001698.2026.23.000/6.














