O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que não pretende participar da inauguração do novo Mercado Miguel Sutil, obra executada pela empresa CS Mobi, responsável também pela administração do estacionamento rotativo na Capital. O gestor voltou a criticar o contrato firmado durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD) e afirmou que seu antecessor foi praticamente um sócio da concessionária, ao conceder benefícios que, segundo ele, prejudicaram o município.
As declarações foram dadas na última terça-feira (27), mesmo dia em que o vereador Tenente-coronel Dias (Cidadania), presidente da segunda Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o contrato da CS Mobi, realizou a leitura do relatório da investigação na Câmara Municipal.
Questionado se participaria da inauguração do mercado caso fosse convidado, Abílio descartou a possibilidade e ironizou o ex-prefeito.
“Não vou, não. Eu acho que o Emanuel deve ir na inauguração, acho que ele deve representar o município de Cuiabá, porque é bem a cara dele aquilo ali. Se ele acha que está bonito, pode ter cara bonita, mas por dentro não está tão bonito assim, não”, disparou.
Durante a entrevista, Abílio reafirmou que considera o contrato da CS Mobi irregular desde sua origem, mas reconheceu que a Prefeitura sofreu derrotas judiciais nas tentativas de contestar a concessão.
“Eu acredito que o contrato tem uma nulidade insanável, ou seja, a forma que ele se iniciou é ilegal. Eu acredito nisso. Porém, eu já perdi. Eles ganharam na Justiça, ganharam em todo quanto é área, a Justiça defendeu eles”, declarou.
O prefeito atribuiu as dificuldades enfrentadas pela atual administração a alterações contratuais realizadas durante a gestão de Emanuel Pinheiro. Segundo ele, os aditivos permitiram ampliar o número de vagas de estacionamento de 3,6 mil para 9 mil, aumentar o valor da tarifa e autorizar o recebimento de recursos municipais diretamente do Governo Federal.
Abílio também criticou a ampliação da área destinada à exploração publicitária pela concessionária, que, conforme relatou, inicialmente estava restrita à região central e passou a abranger toda a cidade.
“Ou seja, o ex-prefeito foi quase um sócio da empresa, um parceiraço dessa empresa, jogou a favor da empresa contra o município”, afirmou.
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