O trabalho da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT) vai muito além do atendimento jurídico e da atuação perante os tribunais. Para Manoel Rodrigues de Souza Neto, a Defensoria também representa acolhimento, incentivo e educação. Natural de Juscimeira (163 km de Cuiabá), o jovem de 23 anos foi atendido pela Instituição quando era criança e hoje atua como estagiário do Núcleo na cidade, levando a palavra de superação a todos que buscam o atendimento no local.
Quando Manoel tinha seis anos de idade seus pais estavam passando por um processo de divórcio conturbado e buscaram o atendimento jurídico do Núcleo da DPMT em Juscimeira. Entre idas e vindas para discutir os termos do divórcio e a guarda da criança, Manoel foi atendido por assistentes sociais e pela defensora pública Rosana Leite.
Com calma, a defensora explicou a situação para ele. Ela contou que a sua guarda iria ficar com os avós e que lá ele iria receber muito amor e carinho. Durante a conversa, a defensora deu um conselho: “Estude bastante, porque um dia você vai trabalhar aqui na Defensoria Pública ao meu lado”.
“Eu era muito pequeno, lembro de algumas coisas bem rápidas. Lembro que a Dra. Rosana me acolheu, conversou comigo, me ofereceu umas balinhas e me deu esse conselho de estudar. Aquelas palavras ficaram na minha cabeça, tanto que eu contei isso para os meus avós. Durante muitos anos eu sempre pensei nisso, que eu tinha que estudar muito, tanto é que até minha avó me dizia: ‘Lembra o que a defensora te disse! Tem que estudar!’”, conta Manoel.
Criado pelos avós, Manoel se acostumou com a lida na fazenda, tocando gado, andando a cavalo, ajudando nos afazeres domésticos, mas nunca deixou os estudos de lado. Por volta dos 17 anos ele decidiu seguir a carreira militar. Estudou muito, mas infelizmente não conseguiu passar nas provas. Porém, isso não foi motivo para desistir.
“Eu sempre lembrava das palavras da Dra. Rosana, que dizia que eu deveria estudar. E foi o que eu fiz. Estudei, prestei vestibular para Direito e hoje estou no segundo semestre do curso. Há dois meses fiquei sabendo que iria abrir o seletivo para estagiário da Defensoria. Fiz a prova e passei. Hoje eu fico muito feliz de trabalhar aqui e poder levar para frente as palavras de incentivo que a Dra. Rosana me disse um dia”, conta o rapaz.
Ainda morando em Juscimeira, Manoel enfrenta uma rotina pesada. Pela manhã ele trabalha com vendas. Durante a tarde ele atua como estagiário da DPMT. Saindo da Defensoria, o rapaz viaja 57 quilômetros de ônibus até a cidade de Rondonópolis, assiste as aulas do curso de Direito e volta para casa por volta das 23h30.
Depois da Defensoria – Por meio do projeto Depois da Defensoria, a defensora pública Rosana Leite teve a oportunidade de reencontrar Manoel depois de 17 anos do atendimento que mudou a vida do jovem. Para ela, a história dele mostra como a DPMT tem o poder de fazer a diferença na vida das pessoas.
“Eu estou muito emocionada e feliz em saber que a conversa que tive com o Manoel lá em 2008 foi uma sementinha plantada e que hoje está rendendo frutos. O trabalho da Defensoria vai muito além dos processos, eles refletem na vida das pessoas, nos seus anseios. Isso mostra que uma conversa com empatia e com acolhimento muda tudo. Muitas pessoas nos procuram para conversar, para desabafar. É por isso que é tão importante ter uma palavra de conforto e carinho”, diz Rosana Leite.
O Depois da Defensoria tem como objetivo contar histórias de pessoas que foram atendidas pela Instituição. O projeto reúne fotos, vídeos e entrevistas com relatos de superação, acolhimento e mudanças proporcionadas pela DPMT ao longo dos anos.
Assista o vídeo desse encontro aqui.
















