sexta-feira, 30 outubro, 2026

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OPERAÇÃO REDE OCULTA

Justiça mantém presa influenciadora investigada em esquema de golpes que causou prejuízo de R$ 414 mil

Patrícia Neves

A Justiça manteve, nesta quinta-feira (29), em Cuiabá, a prisão preventiva da influenciadora digital Aryadna Cristina Rodrigues Sousa Silva, de 24 anos, investigada na Operação Rede Oculta por suspeita de envolvimento em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. Durante a audiência de custódia, a defesa pediu liberdade provisória sob o argumento de que ela é mãe de filhos menores e responsável pelos cuidados deles.

A juíza Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima determinou que a influenciadora permaneça presa até uma deliberação do juízo que decretou a prisão. O pedido da defesa foi encaminhado, com urgência, ao Gabinete 03 do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, responsável pelo processo.

Na decisão, a magistrada explicou que a audiência de custódia tinha como finalidade verificar a regularidade do cumprimento do mandado e o respeito aos direitos da investigada. Por isso, não caberia àquele juízo reexaminar os fundamentos da prisão preventiva determinada anteriormente.

Ao analisar os documentos, a juíza considerou regular o cumprimento da ordem e registrou que não havia indicação de violência, maus-tratos ou constrangimento ilegal durante a abordagem e o deslocamento da influenciadora. Também destacou que Aryadna estava acompanhada de advogado desde a fase policial.

Conhecida nas redes sociais como Aryadny Cristina, ela acumulava cerca de 58 mil seguidores em uma conta atualmente desativada. A influenciadora foi presa com o companheiro, de 26 anos, no bairro Tijucal, durante a segunda fase da operação, conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande.

Segundo a Polícia Civil, a investigada exibia nas redes sociais um padrão de vida considerado incompatível com a renda declarada. A suspeita é de que recursos obtidos com golpes fossem utilizados na aquisição de veículos de alto valor e joias.

Golpes e movimentações financeiras

A investigação aponta que o grupo atraía vítimas com anúncios falsos de veículos em plataformas de compra e venda e também aplicava os golpes do falso parente e do falso funcionário de banco. O prejuízo identificado chega a R$ 414.093, com vítimas em Mato Grosso, Rio de Janeiro e Pará.

Conforme a Polícia Civil, os valores recebidos por Pix eram fracionados em transferências inferiores a R$ 10 mil e distribuídos entre contas de terceiros, antes de serem concentrados e redistribuídos. Parte do dinheiro teria sido empregada na compra de bens posteriormente exibidos nas redes sociais.

Além da influenciadora e do companheiro, foram presos uma mulher de 35 anos e o marido dela, de 41, no bairro São Benedito, em Várzea Grande. Conforme o balanço informado pela polícia, um quinto investigado permanecia foragido.

A segunda fase da operação teve como objetivo cumprir 20 ordens judiciais, incluindo cinco mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, sequestro de veículos e quebra de sigilo telemático. Durante as diligências, foram apreendidos celulares e um Toyota Corolla Cross híbrido registrado em nome de terceiro, mas que, segundo a investigação, era utilizado pelos suspeitos.

As apurações começaram em 2023, após denúncias anônimas. Os investigados foram indiciados por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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