quinta-feira, 29 outubro, 2026

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OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Consultor do TCE teria usado empresa de cavalos e embriões para ocultar dinheiro, aponta investigação

Renato Ferreira/Patrícia Neves

Uma empresa de criação de cavalos e comércio de embriões e sêmen constituída pelo consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, é apontada como possível instrumento de ocultação de recursos na investigação que embasou a Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29), em Cuiabá. Grhegory e o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, estão entre os seis investigados que tiveram a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão do ministro Og Fernandes também afastou das funções os conselheiros Guilherme Antônio Maluf, corregedor-geral da Corte, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar. As restrições alcançam ainda o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva, que mantinha atuação como titular de comissão permanente no tribunal.

No caso de Grhegory, a investigação identificou o recebimento de R$ 32.310.120,43, tornando-o o maior destinatário individual dos pagamentos sob suspeita. A decisão o descreve como articulador jurídico e financeiro da estrutura investigada.

A Maia Reining Horses Ltda., constituída por ele em 22 de julho de 2025, aparece entre as sociedades examinadas. Conforme o documento, a empresa tem como objeto a criação de cavalos e o comércio de embriões e sêmen e estaria sendo utilizada para ocultar valores. Ao apresentar essa hipótese, a decisão destaca a ausência de preços públicos de referência para esses negócios.

O documento não individualiza transações com animais ou material reprodutivo que comprovem a lavagem de dinheiro, nem estabelece quanto teria sido movimentado pela empresa. A utilização da sociedade para ocultação de recursos permanece sob investigação.

Outra empresa mencionada é a G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., holding familiar constituída por Grhegory que teria recebido aportes provenientes dos valores destinados ao consultor. Conforme a decisão, a sociedade era administrada pela sogra dele e, anteriormente, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro investigado com prisão decretada.

Dos R$ 32,3 milhões atribuídos a Grhegory, R$ 31.644.860,90 foram creditados por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras. A investigação também aponta crescimento patrimonial de R$ 1,84 milhão, em janeiro, para R$ 7,61 milhões, em outubro de 2025.

Além das movimentações bancárias, imagens analisadas pela Polícia Federal mostram o consultor acondicionando blocos de dinheiro em uma mochila, após a preparação do numerário por uma funcionária da agência bancária.

Prisões atingem núcleo operacional

Além de Sérgio Ricardo e Grhegory, tiveram a prisão preventiva decretada Gustavo Fernandes da Silva, assistente jurídico subordinado ao consultor; Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência; Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio Ricardo; e Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado do presidente.

Segundo a decisão, os seis integrariam o núcleo operacional do suposto esquema, com atribuições de comando, articulação jurídica e financeira, realização de saques e transporte de dinheiro. Sérgio Ricardo é apontado pela PF como responsável por liderar a estrutura.

A apuração teve origem em uma denúncia sobre possível favorecimento de fornecedores. A suspeita era de que a manutenção ou retomada de pagamentos contratuais estivesse condicionada à devolução de parte dos recursos a pessoas ligadas ao grupo relacionado à Presidência.

Com o avanço das diligências, os investigadores também identificaram uma suposta “folha paralela”. Conselheiros e servidores teriam recebido pagamentos diretamente da conta do TCE, fora da folha normal e, em regra, pelo canal destinado a fornecedores. Parte do dinheiro seria posteriormente sacada ou transferida de forma pulverizada.

Ao decretar as prisões, Og Fernandes apontou riscos de continuidade das práticas investigadas, ocultação de patrimônio e interferência na produção de provas. No caso dos demais investigados, determinou medidas como suspensão das funções, proibição de acesso ao tribunal e aos sistemas institucionais e restrições de contato.

Ao todo, essa decisão alcança 21 pessoas, sendo seis com prisão preventiva decretada e 15 submetidas a medidas cautelares. As responsabilidades individuais e a origem dos recursos seguem sob apuração.

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