domingo, 1 novembro, 2026

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ESQUEMA MILIONÁRIO

Após perceber presença da PF, grupo mudou rotina de saques milionários no TCE

Thalyta Amaral

O grupo suspeito de integrar um esquema de desvio de dinheiro público no Tribunal de Contas do Estado (TCE) teria mudado a forma de movimentar recursos após perceber a presença de agentes da Polícia Federal (PF) nas dependências do órgão, em outubro de 2025. Segundo a investigação, os suspeitos reduziram temporariamente os saques milionários em dinheiro vivo, passaram a acumular valores em contas bancárias e retomaram as retiradas em maio deste ano.

A situação foi relatada na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou, nesta quinta-feira (29), a prisão preventiva do presidente do TCE, Sérgio Ricardo, e de outros cinco investigados.

Conforme o documento, em 14 de outubro de 2025, policiais federais realizavam diligências na agência da cooperativa financeira instalada nas dependências do Tribunal, onde teriam ocorrido sucessivos saques de valores milionários. Na ocasião, o sistema de controle de acesso do TCE identificou a entrada dos agentes, que acabaram sendo abordados pelo serviço de segurança do órgão.

“Após esse episódio, os saques em espécie diminuíram temporariamente e o padrão financeiro foi alterado, voltando posteriormente a ocorrer movimentações consideradas suspeitas”, destaca a decisão.

Para o ministro, a mudança de comportamento indica que os investigados teriam percebido a fiscalização e adaptado a forma de atuação para evitar novas suspeitas.

A investigação aponta que, depois da diligência, os suspeitos passaram a acumular dinheiro nas contas e realizar aplicações financeiras. No entanto, a interrupção das retiradas não foi definitiva.

A Polícia Federal identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas de R$ 75,8 milhões em apenas 294 dias de 2025. No caso de Sérgio Ricardo, foram registrados 150 saques em espécie, que somaram R$ 15,6 milhões.

Parte dessas operações teria sido realizada pela chefe de gabinete do conselheiro, Roseli Loss, apontada como uma das principais responsáveis pela retirada de dinheiro vivo. Segundo a investigação, ela realizou saques que totalizaram R$ 3,5 milhões e, em seis ocasiões, entregou valores a Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado de Sérgio Ricardo.

Além de Sérgio Ricardo e Roseli Loss, tiveram a prisão preventiva decretada Adriangelo Barros Antunes, Felipe José Glinke, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e Gustavo Fernandes da Silva. Outros 15 investigados foram alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento das funções e proibição de acesso ao Tribunal.

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