terça-feira, 3 novembro, 2026

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MENOS RANCOR

Cidinho condena boicote após eleição e diz que negar ajuda ao próximo não é cristão

Patrícia Neves

O suplente de senador Cidinho Santos (PP), que atuou como coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), criticou o boicote a estabelecimentos comerciais e a suspensão de ações solidárias por descontentamento com o resultado das eleições. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que deixar de ajudar o próximo por divergência política contraria os princípios cristãos.

Cidinho relatou ter acompanhado publicações de pessoas que anunciaram que deixariam de comprar em determinados comércios, frequentar salões de beleza ou realizar doações de fim de ano por estarem contrariadas com o resultado das urnas.

“Isso, para mim, não é cristão”, afirmou. O suplente defendeu que a solidariedade seja praticada de coração e lembrou os ensinamentos de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Para ele, a insatisfação eleitoral não deve impedir gestos de ajuda.

“Quando você se nega a ajudar o irmão ou fazer um gesto de solidariedade, você, além de não estar sendo solidário com o irmão, não estar amando ao próximo como a si mesmo, também, com certeza, não está amando a Deus sobre todas as coisas”, declarou.

Ao comentar o encerramento da disputa, Cidinho pediu respeito ao resultado e defendeu que a população siga trabalhando, sem rancor ou mágoa. Também afirmou que é preciso torcer pelo sucesso dos eleitos para a Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.

“Estamos em uma democracia e temos que entender o resultado e a vontade de Deus e do povo que foi soberano”, disse.

A manifestação ocorre em meio à circulação de listas de boicote em Mato Grosso. Em reportagem publicada no sábado (31), o Muvuca Popular mostrou denúncias em Sinop, a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá. O dono de uma pizzaria relatou que o estabelecimento foi incluído em uma relação de empresas associadas à esquerda, negou ter apoiado Lula e anunciou que buscaria providências jurídicas.

O portal também noticiou a investigação da Polícia Civil sobre listas que expõem comerciantes, empresários e profissionais liberais em Confresa e municípios da região. Cinco vítimas registraram boletins de ocorrência após terem seus nomes ou negócios divulgados em mensagens que incentivavam represálias por supostas preferências políticas. A nota policial não informou qual candidato era apoiado pelas pessoas expostas.

A apuração busca identificar os responsáveis pela elaboração e divulgação do material, além de esclarecer possíveis ameaças, perseguição e ofensas à honra. O trabalho é conduzido pela Delegacia de Confresa, com apoio da inteligência da Regional de Vila Rica e em articulação com o Ministério Público.

“Mais paciência, menos rancor e vamos embora. A vida segue”, afirmou.

 

 

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