quinta-feira, 5 novembro, 2026

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Prisão de integrante fez quadrilha interromper ataques a caixas eletrônicos em MT, diz delegado

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A prisão de um dos integrantes de uma organização criminosa especializada em furtar caixas eletrônicos levou o grupo a interromper os ataques em Mato Grosso e abriu caminho para o avanço das investigações. A informação foi apresentada pelo delegado Igor Sasaki nesta quinta-feira (5), em Cuiabá, durante entrevista sobre a Operação Círculo Vicioso, deflagrada pela Polícia Civil.

Segundo Sasaki, os criminosos circulavam pelo país e praticavam uma sequência de furtos antes de mudar de região. Em Mato Grosso, a captura de um dos suspeitos pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) fez o grupo recuar.

“Chamou a atenção de que um dos membros foi preso e eles cessaram a atividade aqui no Estado”, afirmou o delegado.

Além de interromper a atuação dos investigados, a prisão permitiu que a polícia aprofundasse a apuração. Com autorização judicial, os investigadores extraíram dados do telefone do suspeito e encontraram elementos que ajudaram a demonstrar a existência da organização criminosa.

“Com a prisão desse indivíduo, a gente teve ordem para extrair os dados do aparelho telefônico. Ajudou a robustecer a investigação e comprovar a existência dessa organização criminosa”, explicou Sasaki.

A investigação identificou seis furtos a caixas eletrônicos instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras de Cuiabá e Várzea Grande, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Conforme o delegado, o grupo costumava agir em municípios do interior em outras regiões do Brasil.

Os ataques seguiam um padrão. Os criminosos chegavam durante a madrugada, quando os estabelecimentos estavam fechados, e, em algumas ações, abriam buracos nas paredes para alcançar os equipamentos. Com luvas e máscaras, utilizavam uma lança térmica para cortar os cofres. Lonas escondiam a luminosidade produzida pela ferramenta.

Um dos episódios que deram origem à investigação ocorreu na madrugada de 21 de janeiro deste ano, em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande. Na ocasião, foram levados R$ 105 mil, mesmo após o acionamento do dispositivo de segurança que libera tinta sobre as cédulas.

O prejuízo comunicado pelos estabelecimentos chega a aproximadamente R$ 239 mil, mas ainda não representa a totalidade dos valores furtados. “A gente não tem todos os prejuízos financeiros”, ressaltou o delegado.

A apuração também identificou apoio de pessoas de Mato Grosso aos criminosos que vinham de outros estados. Segundo Sasaki, integrantes de uma facção local atuavam como olheiros, auxiliavam nos furtos e ajudavam a movimentar o dinheiro por meio de depósitos em diferentes contas bancárias.

A polícia ainda não esclareceu como os estabelecimentos eram escolhidos. O delegado também afastou, até o momento, a existência de investigação contra trabalhadores dos locais atacados. “Nenhum funcionário de estabelecimento comercial ou financeiro é investigado”, afirmou.

Conduzida pela GCCO e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a Operação Círculo Vicioso reúne 74 medidas judiciais. São dez mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de ativos financeiros, no valor aproximado de R$ 240 mil.

As ordens foram cumpridas em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A ação conta com apoio das polícias civis dos dois estados e da Polícia Rodoviária Federal.

Com o material recolhido nas buscas, os investigadores pretendem identificar outros envolvidos e ampliar as provas para responsabilizar os suspeitos por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os furtos também são apurados em inquéritos próprios.

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