sexta-feira, 6 novembro, 2026

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BANDO DESMANTELADO

Quadrilha usava equipamento de 4 mil graus para derreter cofres e lavava dinheiro com produtos químicos

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Uma organização criminosa utilizava uma lança térmica capaz de atingir 4 mil graus para romper cofres de caixas eletrônicos em Cuiabá e Várzea Grande e, depois, aplicava produtos químicos para retirar a tinta de segurança das cédulas furtadas. Os detalhes foram apresentados pelo delegado Igor Sasaki nesta quinta-feira (5), durante entrevista sobre a Operação Círculo Vicioso, da Polícia Civil.

Segundo o delegado, o grupo contava com integrantes especializados no manuseio da ferramenta, utilizada em ataques a equipamentos instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras.

“Um equipamento que só pessoas muito qualificadas, especializadas, conseguem fazer esse uso, que chega a 4.000°C, derrete um caixa eletrônico como se fosse uma folha de papel”, afirmou Sasaki.

A operação reúne 74 medidas judiciais, incluindo dez mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, com cumprimento em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão. Até o momento da entrevista, o delegado informou que aproximadamente oito pessoas haviam sido presas.

Entre os presos no Maranhão estão dois homens apontados pela investigação como lideranças da organização. Conforme Sasaki, ambos são de Santa Catarina, possuem antecedentes por crimes semelhantes e circulavam pelo país para executar os furtos.

“A gente identificou que há duas lideranças. Essas lideranças que viajam o Brasil todo, já foram presas no Rio de Janeiro, têm passagem no Nordeste, tiveram aqui no Mato Grosso e agora foram presas lá no Maranhão”, declarou.

Os dois também são investigados por ataques a caixas eletrônicos no estado onde foram capturados. As prisões contaram com o apoio da Polícia Civil do Maranhão.

Da limpeza das notas às empresas de fachada

A investigação identificou uma estrutura que atuava tanto na execução dos furtos quanto na tentativa de esconder a origem do dinheiro. O primeiro passo, segundo Sasaki, era remover a tinta liberada pelo mecanismo de segurança dos caixas eletrônicos.

“Primeiro eles faziam a lavagem física desses valores, porque esses valores saem tintados. Quando os caixas eletrônicos são violados, eles saem tintados”, explicou.

Após o uso de produtos químicos, o dinheiro era depositado em diferentes contas, inclusive de empresas apontadas como de fachada. A estratégia, conforme o delegado, buscava dar aparência de legalidade aos recursos furtados.

A análise das movimentações bancárias ajudou os investigadores a estabelecer vínculos entre os suspeitos e identificar a divisão de tarefas.

Quatro núcleos

De acordo com Sasaki, a organização estava dividida em quatro núcleos. Um deles era responsável pelos arrombamentos e pelo corte dos cofres. Outro utilizava um equipamento de rede, citado pelo delegado como “Microtic”, para obter dados de interesse do grupo nas agências bancárias.

O terceiro núcleo cuidava da limpeza das cédulas e da reintrodução dos valores no sistema financeiro. Já o quarto reunia os beneficiários do dinheiro subtraído.

“É uma investigação complexa, porque são indivíduos especializados que atuavam com máscaras, coberturas, dificultando a investigação”, afirmou.

Segundo o delegado, criminosos vindos de outros estados também se associaram a uma facção de Mato Grosso para executar os ataques.

A GCCO e a Draco apuram seis furtos praticados entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, com prejuízo identificado de aproximadamente R$ 239 mil. Há ordens de bloqueio de valores para buscar a reparação dos danos.

Além das polícias civis de Santa Catarina e Maranhão, a operação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal. Sasaki destacou a contribuição da equipe da PRF de Primavera do Leste para o andamento das investigações.

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