sexta-feira, 6 novembro, 2026

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OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Sérgio Ricardo recorre ao STF para sair da prisão; Toffoli aciona PGR

Gustavo Castro

O presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, preso desde 29 de outubro, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar recuperar a liberdade. O habeas corpus está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que determinou o encaminhamento do pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação antes de decidir sobre a solicitação.

Sérgio Ricardo foi preso preventivamente durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no TCE-MT. Ele permanece custodiado em uma sala de Estado-Maior no Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Cuiabá.

A investigação aponta movimentações milionárias em dinheiro vivo envolvendo o presidente afastado. Conforme relatório da Polícia Federal, Sérgio Ricardo teria realizado 150 operações de saque entre janeiro e outubro de 2025, que totalizaram R$ 15,6 milhões.

Desse valor, aproximadamente R$ 15,4 milhões teriam sido retirados em 64 operações realizadas diretamente nos caixas de uma agência do Sicoob instalada dentro do TCE-MT. Outros R$ 171 mil foram movimentados em 86 saques efetuados em caixas eletrônicos.

A Polícia Federal também identificou imagens de câmeras de segurança que, segundo os investigadores, mostram Sérgio Ricardo acompanhando uma retirada de R$ 500 mil em espécie, em setembro de 2025.

Nas gravações, o conselheiro aparece ao lado da então chefe de gabinete da Presidência, Roseli Loss, e do servidor Adriangelo Barros Antunes, que teria auxiliado no transporte do dinheiro em uma mala.

Assim como Sérgio Ricardo, Roseli Loss e Adriangelo Barros Antunes também recorreram ao STF para tentar deixar a prisão. Os pedidos estão sob relatoria de Dias Toffoli, que solicitou manifestação da PGR antes de analisá-los.

Em outro habeas corpus relacionado à mesma operação, a Procuradoria-Geral da República já se posicionou contra a soltura do ex-consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, também preso preventivamente.

Operação Tomada de Contas

Deflagrada em 29 de outubro, a operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Além de Sérgio Ricardo, foram presos Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, o assessor jurídico Felipe José Glinke e o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva.

Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da investigação e afastados de suas funções por determinação judicial.

Entre as suspeitas apuradas estão a utilização da suspensão de contratos para pressionar fornecedores, favorecimentos na liberação de pagamentos e movimentações financeiras em espécie.

O envio do habeas corpus à PGR não representa uma decisão sobre a soltura. Caberá ao ministro Dias Toffoli analisar o pedido após a manifestação do órgão.

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