ESQUEMA EM HOSPITAL
Polícia faz operação contra esquema de corrupção, notas frias e tentativa de compra de silêncio de vereadores
Muvuca Popular
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Silêncio Comprado, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis. Ao todo, foram cumpridas 20 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores, sequestro de bens, quebra de sigilos telefônicos e telemáticos, além de medidas cautelares.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e apuram suspeitas de pagamentos por serviços supostamente não prestados, emissão de notas fiscais fraudulentas, movimentação irregular de dinheiro público e possível desvio de recursos ligados à administração da unidade hospitalar.
Segundo a Polícia Civil, a operação também mira uma suposta tentativa de interferência nos trabalhos da CPI instaurada pela Câmara Municipal para investigar irregularidades na gestão do hospital. O nome “Silêncio Comprado” faz referência justamente à denúncia de oferta de vantagem indevida para tentar influenciar integrantes da comissão parlamentar.
Os mandados foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Tangará da Serra e são cumpridos em Campo Novo do Parecis, Arenápolis e nas cidades paulistas de Barueri e Cotia.
A investigação ganhou força após a morte de uma jovem gestante de Campo Novo do Parecis, que apresentou complicações durante um parto cesáreo, foi transferida para Cuiabá e morreu posteriormente. O caso provocou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a estrutura do hospital, a qualidade dos atendimentos e a execução dos contratos de gestão da unidade.
De acordo com a Deccor, os elementos reunidos até o momento apontam indícios da prática de crimes contra a Administração Pública, especialmente corrupção ativa, sem prejuízo da apuração de outros delitos no decorrer das diligências.
A operação contou com apoio da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), das delegacias de Arenápolis e Campo Novo do Parecis, além da Polícia Civil de São Paulo.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da Operação Pharus, voltada ao combate de organizações criminosas e esquemas de corrupção em Mato Grosso.


