LAVAGEM DE DINHEIRO
PGR vê esquema de venda de sentenças no STJ e denuncia lobista e ex-servidores
Por Márcio Falcão, TV Globo - Brasília
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou nesta quinta-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) nove investigados, entre operadores e ex-servidores, por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu ter reunido elementos que apontam a atuação de uma organização criminosa entre 2019 e dezembro de 2023 em um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Esta é a primeira denúncia apresentada no âmbito da Operação Sisamnes, que apura o caso.
Entre os denunciados estão o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, o servidor afastado Daimler Alberto de Campos e Márcio Toledo Pinto, exonerado durante o andamento das investigações.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta a existência de uma sofisticada rede de operações financeiras voltadas à lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, apenas uma das empresas ligadas ao lobista investigado teria repassado cerca de R$ 4 milhões para uma empresa registrada em nome da esposa de um dos servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre os anos de 2021 e 2023.
A acusação também cita movimentações suspeitas, incluindo saques em dinheiro, além de troca de mensagens e e-mails considerados elementos centrais para sustentar a denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Agora, caberá ao relator do caso, ministro Cristiano Zanin, abrir prazo para manifestação das defesas dos denunciados.
Após essa etapa, o processo deverá ser encaminhado para julgamento na Primeira Turma do STF. Caso a denúncia seja aceita, os investigados passarão à condição de réus e responderão formalmente pelos crimes apontados pela PGR.


