LIVROS FEITOS COM IA
Câmara tem dois pedidos de CPI após denúncia de Abílio sobre contratos de R$ 80 milhões
Thalyta Amaral e Renato Ferreira
A Câmara de Cuiabá recebeu, na manhã desta quinta-feira (28), dois pedidos para abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre desvios na educação municipal. Os pedidos ocorrem no dia seguinte ao prefeito Abílio Brunini (PL) denunciar suspeita de irregularidades em contratos que somam R$ 80 milhões para produção de material didático.
Segundo o prefeito, o caso será denunciado à Polícia Civil, Polícia Federal e órgãos de controle. Os contratos em questão são de 2025 e 2026, e há suspeita inclusive de uso de inteligência artificial em livros que foram vendidos a R$ 800 cada unidade à Prefeitura.
O primeiro a pedir investigação foi o vereador Demilson Nogueira (PP), que é da base de Abílio na Câmara. O foco dessa CPI seria apenas a aquisição dos livros e materiais didáticos que podem ter causado prejuízo de R$ 80 milhões aos cofres públicos.
“Quem iniciou o processo de investigação foi o próprio prefeito, que no dia 26 de janeiro encaminhou um ofício à Controladoria para que tomasse conta disso. O prefeito Abílio, ele não jogou embaixo do tapete não. Então lá, na competência dele, ele já começou a agir”, defendeu Demilson ao ser questionado se o prefeito não estava indo contra sua posição dentro da Câmara.
Já o pedido de Maysa Leão (Republicanos), que é da oposição, é mais amplo e inclui compra de uniformes, de mobiliário, manutenção de equipamentos, reformas, obras e contratos administrativos. Ela afirma que assinaram sua CPI Ilde Taques, Alex Rodrigues, Sargento Joelson, Daniel Monteiro, Dídimo Vovô, Maria Avallone, Drª Mara, Katiuscia Manteli, Jefferson Siqueira, Adevair Cabral, Baixinha Giraldeli e Rafael Ranalli.
“A presente Comissão Parlamentar de Inquérito visa assegurar o regular exercício da função fiscalizatória do Poder Legislativo Municipal, promovendo a defesa do patrimônio público, a correta aplicação dos recursos destinados à educação e a transparência da gestão pública municipal”, diz trecho do requerimento de Maysa.


