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MORTO EM CONFRONTO

Laudo aponta alteração em cena da morte de servidor baleado pela PM em Cuiabá, diz defesa

Nickolly Vilela

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O advogado da família de Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, afirmou ter acesso ao laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) que aponta alteração na cena da morte do servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, baleado durante uma ação da Polícia Militar, no dia 11 de maio, em Cuiabá.

A declaração foi feita pelo advogado Tallis Lara, que acompanha o caso e contesta a versão apresentada inicialmente pelos policiais militares envolvidos na ocorrência.

Segundo o defensor, o laudo pericial confirma que o corpo de Valdivino foi removido após os disparos.

“Teve alteração na cena do crime após o Valdivino ser alvejado. Isso foi confirmado pelo delegado, e eu também tive acesso a esse laudo pericial. Então não é achismo, é algo que já está relatado”, afirmou.

De acordo com Tallis, a perícia aponta que Valdivino foi atingido por diversos disparos, inclusive nas costas, e caiu de bruços dentro da residência.

“Ele cai em posição de decúbito ventral, ou seja, com a face voltada para o chão. Depois, esse corpo é revirado para a posição de decúbito dorsal e retirado de uma parte mais interna da casa, onde efetivamente caiu, sendo levado para uma região próxima da porta, como se tivesse caído de costas”, disse.

Ainda conforme o advogado, os vestígios identificados pela Politec reforçam a conclusão de que houve deslocamento do corpo após a morte.

“Ficou evidente pelo acúmulo de sangue no local onde ele cai, possivelmente já sem vida, além dos vestígios deixados por esse deslocamento”, acrescentou.

Outro ponto questionado pela defesa envolve a arma que estaria com Valdivino no momento da ocorrência. Segundo Tallis Lara, o delegado responsável pelo caso informou que o armamento não foi encaminhado para perícia.

“A arma nunca foi entregue à Polícia Judiciária Civil, muito menos à Politec, de modo que ela não foi periciada”, afirmou.

O advogado relatou ainda que os familiares receberam a informação sobre a alteração da cena com pouca surpresa, já que já desconfiavam da dinâmica apresentada pelos policiais na versão inicial da ocorrência.

Segundo ele, alguns parentes chegaram ao local pouco depois dos disparos e, apesar de terem sido impedidos de se aproximar da residência e do corpo, perceberam uma movimentação considerada incomum por parte dos militares.

A defesa informou que continuará acompanhando o andamento das investigações, além de apresentar novos requerimentos e quesitos ao inquérito.

O caso

Valdivino Almeida Fidelis foi morto a tiros no dia 11 de maio, após uma ocorrência de cárcere privado ser registrada junto à Polícia Militar.

Segundo a corporação, os policiais atiraram depois que o homem apontou uma arma de fogo em direção à equipe durante a abordagem. Ele foi baleado e morreu ainda no local.

Valdivino trabalhava há mais de uma década na Escola Estadual Liceu Cuiabano. Em nota, a instituição lamentou a morte, decretou luto e destacou que o servidor era carinhosamente chamado de “pai” pelos alunos.

De acordo com o delegado Bruno Abreu, após serem ouvidas, a ex-companheira e a enteada relataram que Valdivino tinha comportamento possessivo e ciumento, além de praticar agressões frequentes ao longo do relacionamento.

“Ela afirmou que foram 27 anos de agressões físicas, adultérios, ameaças de morte contra ela e também ameaças de suicídio”, disse o delegado.

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