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DISPUTA DE TERRAS SERIA MOTIVAÇÃO

Acusado de matar advogado por contrato de R$ 200 mil vai a júri popular em Cuiabá

Patrícia Neves

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Dois anos após o assassinato do advogado Renato Nery, o primeiro acusado pelo crime será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá. Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado pelo Ministério Público como o autor dos disparos, responderá por homicídio qualificado em um caso que, segundo a investigação, foi encomendado mediante o pagamento de R$ 200 mil em razão de uma disputa judicial por terras.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi morto em 5 de julho de 2024 após atuar em um processo envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim. A acusação sustenta que a atuação do advogado contrariou interesses econômicos dos supostos mandantes, que decidiram contratar a execução.

De acordo com as investigações, Alex Roberto aguardou a chegada do advogado ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e efetuou os disparos no momento em que a vítima desembarcava do veículo. Em seguida, fugiu em uma motocicleta. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança e passou a integrar o conjunto de provas da Polícia Civil.

Ainda segundo o Ministério Público, o executor teria sido recrutado pelo policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos intermediários da execução.

Durante o julgamento serão ouvidas cinco testemunhas de acusação: os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando de Albuquerque, responsáveis pela investigação; o escrivão Davi Padilha Nogueira; Kaster Huttner Garcia; e Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o assassinato teve como motivação uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim.

Segundo a denúncia, o casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontado como mandante do homicídio, decidiu eliminar Renato Nery após sofrer derrota em um processo conduzido pelo advogado, o que teria provocado prejuízos financeiros considerados expressivos.

Para executar o plano, conforme o Ministério Público, o casal teria contratado os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira. Eles seriam responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no crime.

Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri. Alex Roberto é o primeiro dos seis denunciados a sentar no banco dos réus. A decisão sobre sua culpa ou inocência caberá ao Conselho de Sentença.

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