OPERAÇÃO FARISEU
Justiça mantém presa designer que ostentava fuzil e teve cirurgia bancada por facção
Muvuca Popular
O juiz do Núcleo do Juízo das Garantias, Cássio Leite de Barros Netto, manteve a prisão preventiva da designer de sobrancelhas Rhavenna Barcelos de Almeida, investigada na Operação Fariseus por suposta participação em uma organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, ela atuava como intermediária entre integrantes da facção presos e pessoas em liberdade e teria recebido benefícios do grupo, entre eles uma cirurgia plástica custeada por um de seus líderes.
A informação foi revelada pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco). De acordo com ele, o procedimento estético seria uma das vantagens oferecidas à investigada em troca da atuação no esquema criminoso.
“Eles ganhavam proteção desses membros da organização criminosa e recebiam favores. A presa hoje teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa”, afirmou o delegado.
Conforme as investigações, Rhavenna integrava o grupo ao lado dos próprios pais e exercia funções estratégicas, como a transmissão de recados entre detentos e pessoas em liberdade, além da movimentação de dinheiro em espécie para a facção.
A apuração teve início após uma denúncia anônima informar que integrantes de uma mesma família utilizavam um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e, supostamente, entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a líderes criminosos custodiados na ala de segurança máxima.
Embora a entrada de celulares na unidade prisional não tenha sido comprovada, a análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça revelou fotografias, vídeos, conversas e movimentações financeiras que, segundo a Polícia Civil, demonstram que a atuação dos investigados ultrapassava a assistência religiosa.
Os investigadores também identificaram contatos telefônicos frequentes com presos e foragidos, intermediação de mensagens entre detentos e pessoas em liberdade, além de comunicação constante com lideranças da facção.
As investigações apontam ainda que integrantes do núcleo familiar recebiam valores atribuídos a presos e chefes da organização criminosa, utilizando contas bancárias de parentes e terceiros para realizar fracionamento de depósitos, triangulação financeira e sucessivos repasses com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro.
Os investigados respondem pelos crimes de organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro. A Operação Fariseus segue em andamento para identificar a participação de outros envolvidos no esquema.


