CASO THAYS MACHADO
“Me deixa em paz”: vítima implorou por paz antes de ser morta com o namorado
Nickolly Vilela
Às vésperas do julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de matar a tiros a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian Cesar Moreno, em janeiro de 2023, mensagens anexadas ao processo revelam que a vítima precisou pedir diversas vezes para que o réu aceitasse o fim do relacionamento. Nas conversas, Thays afirma que “não temos mais nada”, pede para ser deixada em paz e chega a avisar que procuraria a Delegacia da Mulher caso as ligações continuassem. Mesmo assim, Carlos Bezerra insiste em saber se ela estava se relacionando com outro homem e cobra respostas repetidamente. Após uma série de recursos, o julgamento está agendado para a terça-feira, dia 21, a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá.
Os diálogos fazem parte do relatório produzido pelo Núcleo de Inteligência da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e integram o conjunto de provas que será analisado pelos jurados. Segundo a investigação, as mensagens demonstram que o réu não aceitava o término do relacionamento e buscava descobrir se Thays já mantinha outro envolvimento amoroso.
Em uma das conversas, Thays escreve: “Não temos mais nada um com o outro, o que significa que não devemos mais explicações nem vc para mim e nem eu para vc. Fica em paz, tudo de bom.” A resposta de Carlos Bezerra é imediata: “Quero saber”, “Está falando com outro cara?” e “Só me responda isso.”
Sem conseguir encerrar a conversa, Thays faz um alerta mais incisivo e afirma: “Se não parar de ligar com id não identificado estarei na Delegacia da Mulher amanhã cedo.” Em seguida, ela volta a pedir que o ex-companheiro respeite sua decisão: “Se continuar me seguindo vai caracterizar prisão preventiva, por ser reincidente. Me deixa em paz.”

Em outro trecho das mensagens anexadas aos autos, Carlos Bezerra volta a insistir no mesmo assunto. Ele pergunta: “Vc está afim de outra pessoa? Se for isso vou respeitar”, acrescentando que precisava saber da resposta porque aquilo era “o mais importante”. Ainda escreve: “Se a nossa história valeu alguma coisa pra vc eu tbm mereço saber isso.”
A resposta de Thays, novamente, é direta: “Não quero mais. Sobrepesa uma série de coisas. Obrigada por tudo.” Mesmo diante da negativa, Carlos Bezerra continua enviando mensagens como “Está falando com outra pessoa?”, “Porque não me respondeu isso?”, “Pelo menos me responda isso”, “É isso que eu quero saber” e “Fala a verdade pra mim.”
O CRIME:
Carlos Alberto Gomes Bezerra será julgado pelo assassinato de Thays Machado, de 44 anos, e do namorado dela, Willian Cesar Moreno, de 30 anos. Os dois foram mortos a tiros na tarde de 18 de janeiro de 2023, em frente a um edifício residencial, no bairro Consil, em Cuiabá.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o filho do ex-deputado não aceitava o fim do relacionamento com Thays e, após descobrir que ela mantinha um novo relacionamento, foi até o local onde o casal estava e efetuou diversos disparos de arma de fogo contra as vítimas. Willian morreu ainda no local. Thays chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu aos ferimentos.
Preso em flagrante no dia do crime, Carlos Bezerra responde por duplo homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas. O julgamento pelo Tribunal do Júri está marcado para esta terça-feira (21), quando os jurados irão analisar as provas reunidas durante a investigação, entre elas as mensagens trocadas entre o réu e Thays nos dias que antecederam o crime.


