ATO DE RETRIBUIÇÃO
Gisela nega apoio a Galvan, reafirma votos em Mendes e Buzetti e rebate posição sobre feminicídio
A candidata a vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), Gisela Simona, negou ter declarado apoio ao candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) e fez questão de marcar distância dele em um dos temas que ganharam espaço na campanha: o feminicídio. Gisela afirmou que seus candidatos ao Senado são Mauro Mendes e Margareth Buzetti e explicou que sua participação em um ato de Galvan foi apenas uma retribuição política ao apoio dele à candidatura de Pivetta ao Governo.
“Primeiro, eu não declarei apoio ao Galvan. Eu tenho muito claro: meus senadores são Mauro Mendes, 444, e senadora Margareth Buzetti, 111”, afirmou.
A explicação ocorreu após Gisela ser questionada sobre a participação em uma agenda de campanha de Galvan e a aparente contradição entre sua atuação em defesa das mulheres e as declarações do candidato ao Senado sobre a legislação específica de combate ao feminicídio.
Segundo ela, a presença no evento não representou adesão à candidatura de Galvan.
“O que aconteceu? O Galvan apoia Pivetta para o Governo de Mato Grosso. Nós participamos de uma reunião e eu cumprimentei o Galvan”, explicou.
Gisela reconheceu que existem posições de Galvan com as quais concorda, mas estabeleceu uma linha clara de divergência quando o assunto é a legislação de proteção às mulheres.
“Existem algumas coisas que são coerentes, na minha visão, por parte do Galvan. Não concordo com o pensamento dele quando ele fala contrário ao Pacote Antifeminicídio”, declarou.
A candidata a vice lembrou ainda sua própria atuação em favor do endurecimento da legislação. “Pelo contrário, todos aqui sabem e é público e notório a minha luta para poder aprovar o Pacote Antifeminicídio na Câmara dos Deputados”, acrescentou.
Gisela classificou sua participação na agenda de Galvan como um gesto político de reciprocidade pelo apoio recebido pela chapa majoritária encabeçada por Pivetta, mas reiterou que isso não significa pedir votos para o candidato do Avante ao Senado.
“Não tem nenhuma incoerência. Existe, sim, um gesto de retribuição ao apoio que ele dá à nossa majoritária, com relação a apoiar Pivetta para governador. Por isso, a gente reconhece e agradece o Galvan por isso”, afirmou.
Na sequência, voltou a reafirmar sua posição na disputa pelas duas vagas ao Senado. “Os meus senadores sempre foram, as minhas redes estão lotadas disso, eu pedindo voto, sim, para Margareth Buzetti e para Mauro Mendes”, disse.
Divergência sobre feminicídio
A manifestação de Gisela ocorre após Galvan transformar a legislação sobre feminicídio em um dos pontos de divergência na corrida ao Senado. Durante debates e entrevistas na campanha, o candidato questionou a diferenciação entre homicídio e feminicídio e defendeu tratamento penal igual para mortes de homens e mulheres. Ele também colocou em dúvida a efetividade do Pacote Antifeminicídio.
A posição colocou Galvan em confronto direto justamente com Margareth Buzetti, uma das candidatas ao Senado apoiadas por Gisela. Buzetti foi autora do projeto que deu origem à Lei nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio. A legislação tornou o feminicídio crime autônomo e estabeleceu pena de 20 a 40 anos, além de endurecer outras regras relacionadas à violência contra a mulher.



