SEGUNDO DIA
“Que show da Xuxa é esse?”: bate-boca, ironias e ameaça de anulação marcam júri
Muvuca Popular
O segundo dia do Tribunal do Júri do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, foi marcado por um clima de forte tensão e momentos de descontração no plenário do Fórum de Cuiabá, na tarde desta quarta-feira (13).
A principal discussão ocorreu após o Ministério Público pedir a leitura da arguição de suspeição envolvendo a juíza Mônica Perri. O advogado de defesa, Cláudio Dalledone, reagiu imediatamente, afirmando que acionaria o Tribunal de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A defesa se recusou a aceitar a leitura do documento, sustentando que o conteúdo não tratava diretamente dos fatos analisados no júri e que serviria apenas como elemento para influenciar emocionalmente os jurados. Durante o embate, Dalledone chegou a cogitar pedir a anulação do julgamento.
O juiz Marcos Faleiros da Silva tentou conter os ânimos e fez ponderações para manter a ordem no plenário. A discussão durou cerca de dez minutos e foi gravada pelo celular do advogado Renan Canto.
Após o impasse, foi iniciado o depoimento do delegado Guilherme Bertoldi.
Apesar do clima tenso, o julgamento também teve momentos de descontração e ironias trocadas entre acusação e defesa. Em determinado momento, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins perguntou ao advogado Cláudio Dalledone se ele seria “venenoso”. Em resposta, o defensor afirmou, em tom bem-humorado, que “todo veneno foi transformado em remédio”.
Na sequência, arrancando risos do plenário, Dalledone disparou: “Que show da Xuxa é esse?”. Logo depois, em nova provocação, afirmou que compraria “botas brancas” para o promotor.
O julgamento deve prosseguir na quinta-feira (14). O réu ainda não foi ouvido. Também será realizado o debate entre Ministério Público Estadual (MPE) e defesa.
O crime
De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, Mário Wilson também chegou ao local e foi apresentado ao policial militar.
Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apoderou do revólver e efetuou os disparos. O policial militar morreu no local.


