ESTÁ LIVRE
Após três dias de júri e clima de tensão, investigador é condenado a 2 anos de detenção por matar PM
Muvuca Popular
Após três dias marcados por depoimentos, embates acalorados, troca de acusações e sucessivas discussões entre acusação e defesa, o Tribunal do Júri do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves chegou ao fim na noite desta quinta-feira (14), no Fórum de Cuiabá. Depois de mais de 14 horas de sessão apenas neste terceiro dia, o réu foi condenado a dois anos de detenção pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O investigador segue em dois anos de detenção em regime, inicial, aberto.
O julgamento, conduzido pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, integrou o Programa Mais Júri e foi acompanhado por forte tensão dentro do plenário. Ao longo dos três dias, os debates foram marcados por farpas, interrupções e momentos de exaltação envolvendo o promotor Vinícius Gahyva Martins e os advogados de defesa Cláudio Dalledone e Renan Canto.
Na tarde desta quinta-feira, uma das discussões mais intensas ocorreu durante os debates em plenário. Em meio ao embate verbal, Dalledone mandou o promotor “ficar quieto” e elevou o tom ao afirmar que Vinícius deveria “lavar a boca” antes de falar sobre sua equipe de defesa.
“Lave sua boca imunda”, disparou o advogado, diante do plenário.
Apesar da tensão, o promotor tentou manter um tom mais moderado durante a resposta, mas rebateu as declarações da defesa, prolongando o clima de animosidade no júri.
Durante os três dias de julgamento, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, entre elas a ex-companheira da vítima, delegados da Polícia Civil, investigadores e pessoas que estavam no local do crime. O réu também foi interrogado antes do início da fase de debates entre Ministério Público e defesa.
O caso julgado ocorreu na madrugada de 28 de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Conforme as investigações, Thiago Ruiz estava no local acompanhado de um amigo quando encontrou Mário Wilson, que teria sido apresentado ao policial militar momentos antes do crime.
Imagens de câmeras de segurança registraram os dois conversando antes dos disparos. Segundo o inquérito, em determinado momento, Thiago teria mostrado a arma que carregava na cintura. Na sequência, o investigador civil tomou posse do revólver e efetuou os disparos que mataram o policial militar ainda no local.


