ARMA DO CRIME FOI 'ALUGADA'
Montador de móveis diz que matou Nery por dívida com agiota e esperava receber R$ 200 mil
Patrícia Neves
O montador de móveis planejados Alex Roberto de Queiroz Silva afirmou, durante interrogatório no Tribunal do Júri nesta quarta-feira (15), que decidiu matar o advogado Renato Nery porque estava endividado e sendo cobrado por agiotas.
Réu confesso da execução registrada em 2024, ele declarou que ouviu do seu colega, o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira, que havia pessoas dispostas a pagar R$ 200 mil pelo assassinato e, diante do desespero financeiro, resolveu cometer o crime. A sessão é presidida pelo juiz Marcos Faleiros e é realizada no Fórum de Cuiabá.
Segundo Alex, Heron comentou que havia sido procurado para executar o advogado, mas ele próprio decidiu agir.
“Ele me mostrou a foto e falou que estavam querendo matar esse advogado. Na época eu estava desesperado por causa de dívida, de agiota que eu estava devendo. Aí fui lá e matei o advogado”, afirmou.
O réu disse que, inicialmente, ninguém lhe ofereceu dinheiro diretamente. Segundo ele, apenas depois da execução comunicou Heron de que havia cometido o homicídio.
“Depois eu falei para ele que tinha matado o advogado. Aí ele falou que ia cobrar o pessoal. Eu nem sabia quem era esse pessoal”, declarou.
Alex também contou que morava em uma chácara cedida por Heron após enfrentar dificuldades financeiras e a morte da mãe. Conforme o depoimento, ele vivia no local com o filho e mantinha amizade com o policial militar.
Sobre a arma utilizada no crime, o acusado contestou parte da investigação. Ele afirmou que não comprou a pistola, mas a alugou por R$ 1,5 mil de um homem conhecido apenas pelo apelido de “Rampa”, apontado por ele como integrante de uma facção criminosa.
Segundo Alex, a pistola já foi entregue com munições e apresentava um defeito que fazia com que efetuasse vários disparos em sequência.
“Ele falou que a arma estava com defeito. Quando atirei, ela disparou tudo de uma vez”, disse.
O réu afirmou ainda que devolveu a arma ao proprietário logo após o crime e que só soube posteriormente que o armamento havia sido apreendido em uma suposta troca de tiros com a polícia.
Ao reconstituir a execução, Alex contou que esteve em frente ao escritório de Renato Nery no dia anterior ao homicídio, mas desistiu da ação.
“Eu arrependi e fui embora. No outro dia voltei. Já estava indo embora quando dei de frente com o carro dele chegando.”
Ele relatou que estacionou a motocicleta ao lado do veículo do advogado e efetuou os disparos, mas disse não se recordar de quantos tiros foram disparados.
Após o assassinato, Alex admitiu que queimou o capacete, as luvas e a jaqueta utilizados na ação para eliminar provas. Também confirmou que trocou diversas vezes de aparelho celular depois do crime.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o assassinato de Renato Nery foi encomendado por R$ 200 mil em razão de uma disputa judicial por terras.
Além de Alex Roberto, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos são apontados como os mandantes do homicídio. O sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira é acusado de intermediar o crime, recebendo o dinheiro, a arma e contratando o executor.
Já os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa teriam participado do fornecimento da arma, da logística e dos pagamentos aos envolvidos. Ambos, assim como os demais denunciados, ainda serão julgados pelo Tribunal do Júri.


