A Prefeitura de Canarana (823 km a leste de Cuiabá) pagou quase R$ 17 milhões pela instalação de usinas de energia solar em prédios públicos, mas nenhuma das 19 unidades fiscalizadas havia sido totalmente concluída. A constatação é do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que identificou placas solares quebradas, equipamentos armazenados de forma inadequada e obras inacabadas.
Conforme relatório do TCE, o contrato foi firmado com a empresa PMT Photonex Comércio de Material Elétrico Ltda., em maio de 2025, pelo valor de R$ 20 milhões. Até a fiscalização, realizada em agosto deste ano, a Prefeitura já havia pago R$ 16,95 milhões, o equivalente a 85% do total contratado.
Para custear o projeto, o município firmou um financiamento de R$ 19 milhões com o Banco do Brasil. A contratação previa a implantação de um sistema de geração de energia solar com capacidade de 2.702,74 kWp.
Durante a inspeção, os auditores encontraram estruturas inacabadas, ausência de equipamentos e obras sem trabalhadores. Em alguns locais, havia apenas estruturas metálicas destinadas à fixação dos painéis solares.
A fiscalização também encontrou 2,8 mil painéis solares armazenados em um terreno, dos quais 22 estavam quebrados. Segundo o TCE, o local não tinha segurança, controle de entrada e saída de materiais e apresentava risco de incêndio devido ao acúmulo de folhas secas e lixo.
Na Escola Municipal Monteiro Lobato, os auditores encontraram placas solares encostadas nas paredes, sendo utilizadas como apoio para bicicletas dos alunos. Os equipamentos estavam no local havia mais de três meses.
Já na Creche Menino Jesus, os painéis estavam armazenados em um corredor, sem proteção, havia aproximadamente 60 dias, embora nenhum serviço de instalação tivesse sido executado.
O relatório também apontou a falta de 10 painéis solares e oito inversores, além da ausência de dispositivos obrigatórios de segurança em instalações de prédios públicos.









