ATIRADOR CONDENADO A 2 ANOS
“Transformaram a morte em comemoração”, diz ex-esposa de militar ao pedir anulação de júri
Muvuca Popular
A dor, a revolta e o sentimento de injustiça marcaram o desabafo da ex-esposa do cabo da Polícia Militar Thiago de Sousa Ruiz, Walkiria Filipaldi Corrêa, após o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves ser condenado a apenas dois anos de prisão pela morte do militar, ocorrida em abril de 2023, em uma conveniência de Cuiabá.
O julgamento, realizado ao longo de três dias nesta semana, terminou com a desclassificação do crime de homicídio qualificado para homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A decisão causou forte repercussão e revolta entre familiares, amigos e integrantes das forças de segurança.
Thiago foi atingido por oito disparos.
Em um pronunciamento carregado de emoção, Walkiria afirmou que viu o acusado deixar o fórum comemorando, enquanto a família da vítima seguia destruída pela perda.
“O Mário saiu pela porta da frente comemorando. A morte do Thiago virou motivo de celebração. E nós seguimos enterrando a dor todos os dias”, desabafou.
Abalada, ela também acusou a defesa de tentar manchar a imagem do policial militar durante o julgamento.
“A todo momento tentaram destruir a honra do Thiago, desqualificar quem ele era. Foram ataques cruéis, baixos e desumanos”, afirmou.
Walkiria destacou ainda que, em nenhuma etapa do processo, a tese de homicídio culposo havia sido cogitada.
“Desde o flagrante, o caso sempre foi tratado como homicídio qualificado, por motivo fútil e sem chance de defesa da vítima. Nunca existiu essa versão de homicídio culposo”, declarou.
Segundo ela, o investigador estava armado e embriagado na noite do crime, contrariando normas da própria Polícia Civil.
“Mesmo sabendo que havia câmeras, testemunhas e dezenas de pessoas no local, ele não demonstrou nenhum temor. Meu ex-marido foi executado”, disse.
Ao final, Walkiria fez um apelo emocionado ao Ministério Público e ao Judiciário para que o julgamento seja anulado.
“Eu imploro que olhem para esse caso com justiça. O Thiago não pode ser reduzido a uma estatística. Isso não foi justiça”, concluiu.
O caso segue gerando forte repercussão entre policiais militares e civis em Mato Grosso.


