NO BANCO DOS RÉUS
“Se eu pudesse trocar de lugar com eles, eu faria; sou uma morta-viva”, diz bióloga
Do Local: Nickolly Vilela
A bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro chorou ao prestar depoimento no Tribunal do Júri, nesta terça-feira (23), e afirmou que convive diariamente com o sofrimento causado pelo acidente que resultou na morte de dois jovens em frente à antiga Valley Pub, em Cuiabá.
Rafaela disse aos jurados que gostaria de poder mudar o desfecho da tragédia ocorrida em dezembro de 2018.
“Se eu pudesse trocar de lugar e mudar o resultado, eu faria. Eu trocaria de lugar com eles. Minha vida acabou”, declarou.
Visivelmente abalada, a acusada afirmou que sua vida nunca mais foi a mesma após o atropelamento e que o sofrimento atingiu toda a sua família.
“Tem sete anos que eu sou uma morta-viva. Minha vida acabou. Eu destruí a vida da minha família. Ninguém tem mais paz”, disse, aos prantos.
Durante o depoimento, Rafaela também negou ter fugido do local após o acidente. Segundo ela, apesar do choque e do desespero daquele momento, permaneceu na cena dos fatos.
A fala da acusada provocou forte emoção no plenário, que estava lotado por familiares das vítimas e da ré. Em diversos momentos, pessoas presentes se emocionaram durante o relato.
Rafaela é julgada pela morte de Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e Ramon Alcides Viveiros, de 25, atropelados na madrugada de 23 de dezembro de 2018, na Avenida Isaac Póvoas. Uma terceira vítima, Hya Giroto Santos, sobreviveu após sofrer graves ferimentos.
O Ministério Público sustenta que a acusada dirigia sob efeito de álcool e assumiu o risco de produzir o resultado fatal. A defesa, por sua vez, argumenta que o caso configura um acidente de trânsito sem intenção de matar.
O julgamento segue no Fórum de Cuiabá sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri.


