A Comunidade Terra Roxa, em Juína, recebeu a segunda edição do Workshop Café Robusta Amazônico, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Cafeicultura, em parceria com o Sindicato Rural de Juína. O encontro reuniu produtores rurais, técnicos e especialistas para discutir temas que impactam diretamente a produção, desde o manejo da lavoura até a comercialização dos grãos.
No sábado, 11 de junho, os participantes acompanharam palestras sobre mercado do café, gestão da propriedade, apresentação de resultados da ATeG, saúde no campo e diversificação da produção. A programação foi construída a partir das demandas apontadas pelos próprios produtores da Comunidade Terra Roxa, buscando levar soluções para os principais desafios enfrentados na atividade.
Segundo a supervisora da cadeia de cafeicultura do Senar MT, Cristiani Bernini, o encontro foi planejado para levar aos produtores conteúdos que possam ser aplicados no dia a dia das propriedades e contribuir para o fortalecimento da cafeicultura regional.
“Os temas desta edição foram escolhidos a partir das necessidades apontadas pelos produtores. Nossa proposta é levar informações que possam ser aplicadas na propriedade e contribuir para que eles tenham mais segurança na gestão, na produção e na comercialização do café”.
O técnico de campo Vinícius Ribeiro Arantes apresentou indicadores e práticas de manejo que já vêm gerando resultados positivos na região, incentivando a troca de experiências entre os participantes.
Outro diferencial destacado pelo técnico é o potencial natural de Juína para a produção de cafés de qualidade. Segundo ele, a região está localizada em um paralelo semelhante ao de importantes polos produtores de café robusta da Amazônia, mas apresenta uma vantagem competitiva, a altitude média.
Enquanto municípios como Nova Brasilândia d’Oeste (RO) estão em torno de 320 metros acima do nível do mar, em Juína as áreas produtoras variam entre 380 e 400 metros de altitude. Essa diferença de aproximadamente 80 a 100 metros proporciona temperaturas cerca de 0,6°C mais baixas, favorecendo uma maturação mais lenta dos frutos e contribuindo para um café naturalmente mais doce e de maior qualidade.
“Essa diferença de altitude pode parecer pequena, mas para o café faz bastante diferença. Ela favorece a produção de um grão com maior doçura, uma característica valorizada pelo mercado e que pode se tornar um grande diferencial da cafeicultura de Juína”.
Os números da ATeG mostram a evolução da atividade entre os produtores acompanhados pelo Senar MT em Juína. Em apenas três meses, a receita bruta do grupo de 30 propriedades atendidas passou de R$ 630,4 mil, em março, para R$ 2,77 milhões em maio, um crescimento de mais de 340%, impulsionado pelo avanço da colheita, pela melhoria do manejo e pela organização da comercialização. No período, as propriedades movimentaram R$ 4,6 milhões, alcançando uma margem bruta de 66,1%.
Os conhecimentos apresentados durante o workshop já fazem parte da rotina do produtor Antônio Marcos Bertucci, da Comunidade Terra Roxa. Acompanhado pela Assistência Técnica e Gerencial do Senar MT, ele conta que as orientações recebidas em campo mudaram a forma de conduzir a lavoura e trouxeram resultados concretos para a produção.
“Eu fazia o manejo do café de um jeito. Com a assistência técnica, fizemos testes e vimos que realmente dá resultado. Hoje minha produtividade está evoluindo graças às orientações que recebi. Só tenho a agradecer”.
Para o produtor, além do acompanhamento técnico nas propriedades, eventos como o workshop são fundamentais para ampliar conhecimentos e acompanhar as novas tecnologias.
“Essas palestras trazem muito conhecimento para nós. Quanto mais informação a gente tem, melhores são os resultados na propriedade. Sempre que tiver um evento como esse, vou participar”.
Um dos principais temas do workshop foi a comercialização do café, assunto apontado pelos próprios produtores como uma das maiores necessidades da cadeia produtiva. A palestra foi conduzida pelo supervisor da cadeia de cafeicultura do Senar Rondônia, Darlan Sanches Barbosa Alves, que apresentou um panorama do mercado do Robusta Amazônico em nível regional, nacional e internacional, além de orientar os participantes sobre gestão de custos e oportunidades de mercado.
Segundo ele, a assistência técnica tem papel estratégico por integrar conhecimento técnico e gestão da propriedade.
“A ATeG equilibra a parte técnica com a parte gerencial da propriedade. Assim, o produtor melhora a produtividade, controla os custos de produção e amplia as oportunidades de acessar novos mercados”.
A programação também abordou alternativas para diversificar a renda nas propriedades. O técnico de campo e instrutor credenciado do Senar MT Marcelo Soares de Oliveira apresentou o cultivo consorciado entre banana e café, estratégia que permite ao produtor gerar receita enquanto o cafezal ainda está em formação.
Segundo ele, além do retorno financeiro, o sistema traz benefícios agronômicos para a lavoura.
“O consórcio entre banana e café permite aproveitar melhor a área, gerar renda nos primeiros anos da implantação do cafezal e ainda proporciona sombreamento, reciclagem de nutrientes e melhoria das condições do solo, tornando o sistema mais sustentável”.
A programação também contou com orientações do Programa Saúde no Campo, que levou informações sobre prevenção de doenças, hábitos saudáveis e qualidade de vida no meio rural, reforçando que a sustentabilidade da atividade passa não apenas pela produtividade das lavouras, mas também pelo cuidado com a saúde dos produtores e de suas famílias.


