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CASO RENATO NERY

Promotor diz que arma usada para matar advogado foi “plantada” em falso confronto

Patrícia Neves

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O promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues afirmou, durante a sustentação oral no júri do montador de móveis Alex Roberto de Queiroz Silva, nesta quarta-feira (15), que a arma utilizada no assassinato do advogado Renato Nery foi posteriormente “plantada” em um falso confronto policial com o objetivo de dificultar as investigações e dar aparência de legalidade à apreensão do armamento.

Ao apresentar a tese do Ministério Público aos jurados, o promotor sustentou que a execução do advogado foi resultado de uma ação criminosa organizada, com divisão de funções entre os envolvidos, desde os supostos mandantes até policiais militares responsáveis por ocultar provas.

Segundo Rodrigo Domingues, além da arma, as munições utilizadas no crime pertenciam à Secretaria de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso e haviam sido destinadas ao Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam).

“O Alex utilizou munições pertencentes à Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso. Eram munições destinadas à Rotam. Posteriormente, essa arma utilizada por Alex, juntamente com essas munições, foi encontrada em um falso confronto para atrapalhar as investigações”, afirmou.

O representante do Ministério Público disse que o plano, no entanto, acabou sendo desvendado pela Polícia Civil por meio do cruzamento de informações periciais e de inteligência.

“Eles não contavam que a Polícia Civil dispõe de sistemas de cruzamento de dados e de análise que permitiram identificar a origem das munições, qual arma foi utilizada e onde ela apareceu posteriormente”, sustentou.

Durante a acusação, o promotor também detalhou os crimes pelos quais Alex Roberto responde. Segundo ele, o réu deve ser condenado por homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa, por utilizar meio que colocou outras pessoas em risco, pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além dos crimes de fraude processual, abuso de autoridade e organização criminosa.

Rodrigo Domingues destacou que Renato Nery foi monitorado antes da execução e surpreendido ao chegar ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.

“A vítima foi monitorada e surpreendida pela organização criminosa, que decidiu tirar sua vida em razão de uma disputa judicial”, afirmou.

O promotor ainda sustentou que, após o homicídio, houve uma tentativa deliberada de destruir e forjar provas para impedir o avanço da investigação.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o assassinato de Renato Nery foi encomendado por R$ 200 mil em razão de uma disputa judicial por terras.

César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos são apontados como os mandantes do crime. O montador de móveis Alex Roberto de Queiroz Silva é acusado de executar os disparos que mataram o advogado.

Ainda conforme a denúncia, o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira teria intermediado a execução, sendo responsável por receber o dinheiro, providenciar a arma e contratar Alex. Já os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa são acusados de fornecer o armamento, intermediar pagamentos e coordenar a ação criminosa.

Também foram denunciados os policiais militares Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira, Leandro Cardoso e Jorge Rodrigo Martins, acusados de forjar um confronto policial para dar aparência de legalidade à apreensão da arma utilizada no assassinato e, assim, dificultar o esclarecimento do crime.

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